Alicorn Falls [Br]

by Savanah

Winter thrives in the lone heart

Previous ChapterNext Chapter

Winter thrives in the lone heart

Numeric sorriu ao ver o horário, ela deixou de lado suas folhas de bronze, despediu-se rapidamente de suas assistentes, todas elas já estavam acostumadas aos seus novos hábitos. Ela foi até uma das airlocks, dessa vez ela estava sem roupas, estando tão próximos do sol tinha a vantagem de que eles estavam recebendo cada vez mais calor dele, atualmente a nave estava se mantendo em uma temperatura confortável, para os pôneis nascidos nas cidades era estranho andar sem roupas, eles sabiam das histórias dos passado de quando poucos pôneis usavam roupas no dia a dia, mas muitos ainda se sentiam desconfortáveis, mas a cada dia mais e mais pôneis acabavam deixando de lado as roupas pesadas.

Ela entrou na airlock e colocou a couraça com cuidado não havia pressa, seu tempo só começaria a correr quando ela saísse da nave. Ela havia se tornado proficiente em colocar e retirar a couraça e com seus passeios rotineiros ela era provavelmente a mais experiente na nave para atividades extraveiculares, muitas vezes ela havia se voluntariado para trabalhos externos apenas para poder ficar mais tempo do lado de fora, o comandante não gostava disso, várias vezes ele dizia o ridículo de arriscar ela em trabalhos que qualquer outro pônei poderia fazer, mas ela sempre insistia e a verdade é que ela trabalhava melhor depois de suas saídas.

Ela abriu a porta da airlock com cuidado, todo o ar já havia sido drenado da sala, de forma que ela não era arremessada para fora. Ela se moveu com calma, usando os talismãs com facilidade para se mover na gravidade zero, em geral pegasi tinham uma facilidade maior com eles, mas ela havia praticado tanto que provavelmente conseguiria ir cabeça a cabeça com qualquer pegasus.

As estrelas estavam cada vez mais fracas, mesmo a pouca luz que o sol emitia estava se tornando o suficiente para encobri-las, Numeric ergueu seus cascos como que querendo tocar as estrelas.

-Ei, eu estou aqui de novo. –Ela falou suavemente, ela sabia que sua voz não se propagava no espaço, mas ela não se importava. –Cada dia eu vejo menos das estrelas, falta tão pouco para terminarmos a missão sabe, sua irmã já cobre praticamente todo o nosso horizonte, os outros pôneis estão tão felizes de poder se banhar em luz do sol, eu queria que você estivesse aqui para ver isso, a maior parte da tripulação já anda nua por ai, eu me lembro que você sempre pareceu tão diferente de todo mundo andando por ai só com suas jóias reais... Ah! Mais uma pônei conseguiu uma cutie mark! Ela se chama Lapidary, ganhou sua marca fazendo jóias a partir de ferro velho e restos, é tão incrível ver tantos pôneis encontrando seu propósito nessa missão, eu tenho certeza que você ficaria tão feliz.

Ela checou seu relógio interno, ainda tinha mais alguns minutos.

-Eu sinto sua falta ainda, acho que é difícil superar a morte de uma deusa, Lux e Nox têm sido muito boas comigo, durante todos esses anos elas ficaram ao meu lado e me ajudaram, é estranho me sentir tão próxima de outros pôneis, lá embaixo nas cidades sempre parecia haver essa barreira entre as pessoas, mas aqui em cima os pôneis parecem estar se tornando melhores, acho que as coisas eram mais assim na sua época não? Bom, meu tempo está acabando, eu preciso voltar para dentro, mas falo com você de novo quando conseguir saída.

    Ela voltou para dentro da nave da forma mais demorada possível, ela sentia seu coração apertar ao pensar que logo não conseguiria mais ver as estrelas. Ela retirou sua couraça e se pôs a caminho de volta a sua estação de trabalho, parecia não haver um fim para todos os problemas que surgiam dentro da nave. A rádio estava tocando uma adorável canção que Nox havia convencido alguns dos pôneis mais afinados na nave a cantarem para ela, ela sempre se surpreendia como a pegasus conseguia ser criativa em manter a tripulação contente. No começo era simples apenas tocar os discos, mas logo eles estavam se tornando repetitivos, então ela começou a trabalhar em remixes e outras alterações nas músicas, quando eles saíram do alcance dos rádios de Equus ela começou a entrevistar pessoas da nave, contar histórias e até mesmo começou uma série de radio novelas. No momento ela havia até começado a iniciativa Crusaders, em que ela tentava ajudar pôneis a conseguirem suas cutie marks.

    Ela entrou em seu quarto e quase chorou ao ver Lumina Ninbus com um pincel em sua boca, pintando o teto e boa parte das paredes com uma imagem de um céu noturno como não se via em gerações, com estrelas brilhantes e uma belíssima lua cheia.

    -Eu pensei que você ia demorar mais. –Lumina falou um tanto envergonhada de ser pega no flagra.

    -Lumina... –Numeric gaguejou buscando por palavras.

    -Eu sei que não está muito bom, mas espero que você goste. –A pegasus falou timidamente.

    -Está lindo! Mas eu não entendo, por que você fez isso? –Ela perguntou sem acreditar naquilo, todos os pôneis com quem ela havia se relacionado sempre haviam se sentido desconfortáveis com os sentimentos que ela ainda mantinha por Luna, exigindo que ela parasse com suas saídas ou coisas similares, Lumina havia sido sempre tranqüila com isso, nunca havia reclamado das saídas, na verdade no começo Numeric acreditou que Lumina só queria um pouco de sexo e diversão, mas o tempo passou e ela continuaram namorando.

-Você reclamou esses dias que não conseguia mais ver as estrelas, então eu decidi trazer elas para mais perto de você.

-Lumina... Você não sente ciúmes de mim? Do que eu ainda sinto por ela? –Numeric perguntou a questão que a havia consumido desde os primeiros dias.

-Numeric, se você quer terminar comigo pode falar.

-Não, nunca, eu te amo, mas... –Numeric começou.

-Isso é tudo que eu preciso saber. –Lumina falou com um sorriso.

As duas se beijaram apaixonadamente, nem mesmo notando a marca de um pincel e coração que havia aparecido no flanco de Lumina.

Nox colocou mais uma das gravações feitas dentro da nave mesmo, uma grande pegasus chamada Limit Break que tinha uma voz angelical, ela provavelmente ganharia uma cutie mark de cantar ou algo assim em breve provavelmente. Ela deixou a música tocando e colocou um par de fones diferente dos outros, mais pesados e tecnológicos que os que ela usava em geral no seu trabalho.

-Aqui é Nox da Luciferious II de Equestria, para qualquer um que estiver ouvindo. –Ela falou com sua voz mais gentil e esperou, checando as freqüências por quaisquer respostas antes de transmitir novamente, dessa vez falando no dialeto zebra que ela havia aprendido com Zura.  Ela fazia isso todo dia, sempre que tinha tempo livre, esperando por uma resposta do lado de fora, mas até hoje nada havia respondido.

Algo diferente, ela subitamente moveu os diais de volta, buscando pelo sinal, algo tinha estado lá, por apenas um instante ela havia ouvido algo diferente do vazio.

... Que a glória de Celestia nos proteja. Aqui é Wave Band da Luciferious I, estamos com problemas nos computadores primários, nós conseguimos alcançar uma órbita estável, mas não conseguimos continuar com a missão, que a glória de Celestia nos proteja...

A mensagem repetia continuamente, Nox saltou de sal cadeira, ela precisava mostrar isso para os outros imediatamente.

Alguns minutos depois o capitão Vapor Trail havia chamado uma audiência de emergência com os líderes, além do próprio capitão e de Nox havia Numeric, Lux, Zura, Opal Hammer (Chefe de engenharia) e Silver Hoe (chefe de hidropônica) estavam presentes na sala comum, os outros pôneis ficariam sabendo do que estava acontecendo mais tarde e se fosse preciso uma votação todos seriam consultados.

-Sky Watcher conseguiu traçar a transmissão e existe algo lá fora, tudo nos leva a crer que é a Luciferious I. –Vapor Trail falou depois que todos haviam ouvido a transmissão. –No entanto vamos precisar fazer um desvio, a manobra é simples, mas vamos queimar bastante combustível.

-Qualquer benefício material que possamos ganhar é mínimo. –Numeric falou. –Se ficarmos sem combustível na volta podemos acabar encalhadas no meio de lugar nenhum.

-Mas se ainda tiver matéria orgânica na nave isso pode suplementar nossas rações o suficiente para que possamos completar o caminho de volta. –Silver replicou.

-Tem alguma chance de encontrarmos sobreviventes? –Opal Hammer perguntou.

-Impossível. –Zura responde. – Eles não teriam recursos suficientes para se manterem por tanto tempo.

-E o escudo primário? –Lux perguntou.

-Pelo que pudemos averiguar a nave parece em bom estado. –Vapor Trail respondeu.

-Então se nós conseguíssemos chegar ao escudo primário poderíamos recuperar os catalisadores secundários? –Lux perguntou esperançosa, a idéia do que eles haviam feito com os corpos das portadoras dos elementos da harmonia ainda a enervava, mas se isso de alguma forma a ajudasse a controlar melhor o mega-feitiço então valia á pena tentar.

-É uma possibilidade. –Zura respondeu. –Eu devo conseguir conectar o catalisador secundário com facilidade.

-Eu vou calcular a mudança de rota, preparem todo mundo para a aceleração. –Vapor Trail falou - Quero todo mundo em situação de alerta.

Broadband estava preso em sua cadeira enquanto a nave manobrava, seus olhos fixos na tela do radar, ele tinha certeza de que havia visto uma perturbação nele apenas alguns momentos atrás, era preciso ficar atento para qualquer corpo celeste em movimento, até mesmo os menores deles poderiam causar grandes estragos a uma nave como a Luciferious II, subitamente a grande mancha que deveria ser a primeira Luciferious apareceu em seu monitor, em movimentos bruscos ele sentiu a nave tremer e gemer enquanto seus motores colossais se moviam.

Contato! Broadband não podia acreditar naquilo, algo estava se aproximando rapidamente, não era um meteoro ou qualquer coisa similar, não pelas leituras do radar a coisa era feita de puro metal e estava mudando sua velocidade e direção, se aproximando no que só poderia ser descrito como um vetor de ataque.

-Objeto não identificado se aproximando rápido! –Broadband falou. – Dez minutos para contato.

-Todos para posição de combate! –Vapor Trail gritou sem realmente acreditar no que estava falando. –O que nós temos sobre o contato?

-Cerca de cem metros de extensão, feito de metal. –Broadband falou enquanto ele analisava as análises feitas pelos bancos de sensores da Luciferious.

-Todos os pegasus para posição de combate! –Vapor Trail falou no rádio. –Estou liberando o uso de canhões thaumicos.

Pela nave uma sirene estridente sonhava e pôneis corriam sem saber ao certo o que fazer, eles haviam treinado para diversas situações, desde incêndios até vazamentos químicos, mas nunca para o que fazer em caso de contato hostil.

Nox corria até uma das airlocks, como todas as pegasi, ela estava sendo convocada para auxiliar na defesa da nave, ela odiava o estereótipo do pegasus militarista, mas era difícil se desvencilhar desse tipo de expectativa, não importa que nas guerras modernas os unicórnios e pôneis terrestres fossem a maior parte das forças de combate, todo mundo ainda esperava que os pegasi prestassem serviço militar e soubesse dizer de cor o nome de todos os encouraçados em serviço.

Quando ela chegou já estavam terminando de colocar Lumina em uma das couraças e logo era a sua vez, ela tinha pouca experiência com atividades extraveicular, mas sua magia inata tornava mais fácil de controlar a armadura do que para unicórnios ou pôneis terrestres. Uma vez devidamente selada eles a entregaram algo que ela nunca havia usado antes, uma lança terminada em uma estranha geringonça de vidro e cobre que continha uma grande esmeralda suspensa, ela já havia visto elas em filmes de propagandas, era um canhão thaumico, que usava esmeraldas encantadas para projetar raios de plasma.

Aquilo era uma loucura, ela não tinha treinamento com armas, ela mal sabia voar direito, o que ela sabia fazer era usar sua magia inata para purificar o ar e fazer pôneis sorrirem com sua rádio.

As luzes na airlock mudaram para amarelas, Nox e Lumina estavam tremendo. As luzes mudaram para verde e as duas foram expelidas, da nave, imediatamente ordens vieram através do rádio, dando vetores para cada pegasus, a principio Nox se sentiu perdida com as indicações que vinham do rádio, os instrumentos da armadura e a sua própria visão, quando ela entrou em uma formação em V com outros pegasi se tornou mais fácil de navegar, seu instinto a ajudava manter a formação.

Por milênios os estudiosos de Equestria discutiram sobre a existência de vida fora de Equus e como seria possível se comunicar com ela, muitos especulavam sobre o assunto e chegaram inclusive a escrever livros sobre o assunto, uma das maiores especialistas no assunto foi uma pesquisadora chamada Lira Hearstrings, uma contemporânea de Twilight Sparkle, que escreveu diversos tomos e chegou até mesmo a fazer alguns documentários sobre a existência de raças não-equinas, sua grande paixão sempre foi uma estranha raça de aliens bípedes que teriam visitado Equestria milênios atrás.

Lyra nunca teria acreditado na criatura alienígena que os pegasus da Luciferious II agora encontravam, ela era diferente das criaturas bípedes que ela tanto amava ou das raças quadrúpedes que habitavam Equus, ele tinha seis pernas finas parecidas com a de um aracnídeo, uma carapaça de metal negro e por baixo dela sua carne brilhava com um verde doentio, ela tinha quatro grandes membros terminados em fortes pinças como de um caranguejo, ela tinha uma mandíbula com grandes dentes afiados que pareciam ser feitos de diamante, circundada de longos tentáculos e tinha seis pares de olhos que brilhavam com uma luz azul penetrante.

Os pegasi manobraram com cuidado ao redor da enorme criatura, tentando espantar elas, torcendo e orando para Celestia e Luna para que isso bastasse, mas a criatura não parava, ela continuava em sua rota de colisão com a Luciferious.

Vapor Trail estava inquieto, rilhando seus dentes, torcendo por um milagre que os salvasse, mas os momentos passavam e nada acontecia. A criatura ainda vinha em vetor de ataque, mas estaria ela realmente atacando, será que ele poderia se dar ao luxo de atacar uma criatura que poderia estar apenas curiosa, uma forma de vida que para todos os intentos e propósito poderia ser completamente pacífica.

A criatura abriu sua enorme boca e cuspiu uma rajada de plasma azul, o raio concentrado cruzou o vácuo e atingiu a retaguarda da Luciferious, seus motores vaporizados em um instante, ligas de metal fortes o suficiente para resistir as temperaturas infernais dos exaustores foram vaporizadas, os pôneis que trabalhavam na seção morreram sem saber o que havia acontecido.

Os pegasi reagiram imediatamente, disparando rajada após rajada do plasma gerado pelas esmeraldas em suas lanças, eles voavam se mantendo longe da boca da criatura, tentando atraí-la para longe da Luciferious, tentando atingir ela entre as placas de armadura.

A criatura não se importou com o plasma dos pegasi, agarrando com a Luciferious com suas garras, mais uma rajada de plasma de sua boca destruiu completamente o jardim hidropônico, mesmo longe Nox conseguia ver as chamas consumindo a nave por dentro enquanto as garras da criatura a destruíam por fora.

Nox e seu esquadrão mergulharam, mirando os olhos da criatura. Nox segurou a lança com os dois cascos, elas voaram através dos tentáculos e liberaram o plasma contra os olhos, a criatura pareceu se contorcer, sentindo dor pela primeira em milênios. Seus tentáculos atacaram os pegasi em resposta, Nox desviou de um com rolamento e disparou outra rajada contra os olhos da criatura, Lumina não teve tanta sorte, um dos tentáculos a agarrou e destroçou em um instante, a pegasus morreu em um instante.

-Evacuar nave! Todos para fora! –Vapor Trail deu o comando, não importava mais se eles derrotassem a criatura, a Luciferious estava condenada. –Essa ordem vale para vocês também. –Ele falou para seus subordinados na ponte de comando. -Vão agora para os módulos de escape, eu vou assumir controle total da nave.

-Capitão? –Broadband protestou. –Você precisa vir com a gente.

Ele sorriu decidido. –Um capitão deve afundar com seu navio. Vão agora!

Explosões secundárias aconteciam por toda a nave enquanto as chamas do jardim hidropônico se espalhavam rapidamente, o capitão poderia tentar isolar os setores e bombear o oxigênio para fora, mas ele estava com preciosa pouca energia já que o primeiro ataque da criatura havia destruído os motores. Ele tentava cortar o fogo fechando portas, mas ele parecia se espalhar rápido e agora eles ainda estavam perdendo atmosfera rapidamente, não importa o que ele fizesse não haveria como salvar a nave.

Zura entrou correndo na sala de comando e se sentou em um dos terminais principais.

-O que você acha que está fazendo? –Vapor Trail perguntou. –Eu dei ordens para todos os pôneis evacuarem!

-Essa criatura vai atrás dos sobreviventes se nós deixarmos.

-O que você pretende fazer? –Vapor perguntou.

Zura apenas sorriu enquanto digitava freneticamente no terminal.

Numeric guiou os sobreviventes através da nave para os módulos de fuga e então para a Luciferious I, mesmo que a nave não tivesse muito em questão de oxigênio era a última esperança para eles, qualquer outra chance de salvamento estava em Equus e eles não teriam nem mesmo como enviar uma mensagem, se eles simplesmente morressem sem tentar iriam condenar todos em Equus, apenas a Horda sobreviveria.

Ela atracou seu módulo de fuga na airlock principal, esperou a luz mudar para verde, isso queria dizer que pelo menos havia uma atmosfera de verdade lá dentro. Lux deu um passo para frente para entrar na nave, mas Numeric a empurrou para trás.

-Você é preciosa de mais, eu vou entrar primeiro.

Numeric abriu a porta e entrou, ela respirou aliviada ao perceber que havia uma atmosfera respirável lá dentro, eles estavam tão perto de cumprir a missão agora, se fosse necessário ela teria de drenar o oxigênio de dos outros módulos de fuga e isolar Lux na sala de comando, ela era a única pônei que realmente precisava chegar ao final da jornada.

Eles entraram um a um, Lux criando luz para que eles pudessem ver o que estavam fazendo, eles se espalharam e começaram a mover o segundo módulo para a airlock, isso teria de ser feito um de cada vez.

Nox estava ofegante, cansada e suando, agradecida de ter cortado seu cabelo num estilo pixie que combinava com sua carreira de DJ, agora ele não ficava caindo em sua vista. Ela desviou para a direita escapando de uma garra, mas outro pegasus foi destroçado por elas. Eles estavam morrendo inutilmente, nada que eles fizessem parecia capaz de realmente machucar a criatura, os primeiros impactos nos olhos a pareciam ter pego de surpresa, mas agora nada mais parecia sequer a incomodar, ao invés disso ela estava destroçando a Luciferious II que tentava inutilmente manobrar, girando fora de controle com seus motores secundários em ação.

-Todos os pegasus sobreviventes, recuem imediatamente! Recuem para a Luciferious I! –A voz de Vapor Trail estourou em seus rádios, como um os pegasus começaram a recuar, apenas três deles restavam e mais um foi destruído por uma rajada de plasma da criatura.

-Let there be light! –Zura falou.

E então se fez a luz, em um instante toda a energia das bombas estocadas na Luciferious II foi liberada e uma pequena nova estrela surgiu naquele momento, a criatura foi engolfada, banhada no plasma, suas carapaças de metal foram arrancadas pelas forças monumentais, sua carne que normalmente conseguiria resistir as intempéries do espaço foi destroçada, órgãos alienígenas e o que só poderia ser o sangue da criatura foram vaporizados, em um momento a criatura que havia existido por milhões de anos havia cessado de ser.

Nox aterrissou pesadamente em uma das airlocks secundárias da Luciferious I, apenas o escudo primário da nave havia salvado os pôneis ainda em módulos de fuga de serem vaporizados pela explosão.

Quando a airlock finalmente terminou de abrir ela arrancou sua carapaça com dificuldade, parecia que partes dela haviam derretido e se fundido a sua pele. Ela se levantou com dificuldade, com metade da armadura ainda com ela, Mirk apareceu para ajudá-la.

-Nós estávamos te procurando! –Ela falou ancorando a outra fêmea. –Nós achamos Blue Thunder já, ela está na enfermaria recebendo cuidados.

-Quem mais sobreviveu? –Nox perguntou exausta.

-Não muitos pôneis infelizmente. Lux está segura se é isso que você quer saber, eu sei que a Copper também sobreviveu. –Mirk falou enquanto a ajudava para a enfermaria, a sala era pequena e estava coberta de poeira, a forma esbranquiçada de Blue Thunder estava já deitada em cima de uma maca, com cuidado Mirk colocou Nox sobre uma segunda maca.

Ela injetou Nox com uma das seringas de analgésicos do estoque de medicamentos que eles haviam preparado a partir dos kits de primeiro socorros dos módulos de fuga, os medicamentos da própria nave já haviam perdido a validade ou não eram confiáveis para uso depois de tanto tempo abandonados.

Em alguns instantes Lux estava lá ao lado da pegasus, Numeric chegou pouco depois, ela olhou para as duas pegasus, procurando por Lumina. Ela engoliu a seco e deu dois passos para trás, para fora da clínica para deixar as Lux e Nox sozinhas, elas não mereciam ver ela chorar.

-Numeric... –Nox a chamou com dor se infiltrando em sua voz. –Por favor, venha aqui.

Numeric se aproximou, tentando se manter forte e segura na frente dela, haveria tempo para ela desabar mais tarde. Nox e Lux a abraçaram ternamente, nesse momento ela não agüentou mais e desatou em lágrimas.

-Nós não vamos te deixar sozinha. –Lux falou.

Da tripulação da Luciferious II, treze pessoas sobreviveram no total, o mais grave eram as perdas de pegasi, eles tinham só dois no momento, o sistema de purificação ficaria sobrecarregado. O problema era que desses sobreviventes seis deles estavam em condições precárias, incluindo um dos pegasi.

-Vocês precisam sair agora. –Mirk falou. –Eu preciso cuidar das duas antes que o analgésico perca o efeito.

-Vocês vão ficar bem? –Nox perguntou as duas.

-Claro, eu vou tomar conta dela. –Lux respondeu jogando um caso cobre os ombros de Numeric. –Trate de ficar bem para mim.

Nox e Lux se beijaram rapidamente e Lux saiu acompanhada de Numeric, deixando Mirk sozinha na sala com as duas pegasi feridas. Ela começou a tirar o máximo que podia de pó do lugar, mas nos anos de abandono a nave havia desenvolvido uma pesada cobertura de poeira por todo lugar, com cuidado ela abriu uma das gavetas de instrumentos cirúrgico, para sua felicidade eles pareciam ter se conservado intactos e pareciam ainda estar todos em ordem, apenas um dos bisturis estava faltando. Ela respirou fundo e começou a trabalhar como podia.

Lux e Numeric estavam explorando a nave, a maior parte dos pôneis estavam na sala de comando, tentando fazer a nave voltar a funcionar, mas uma pergunta pairava sobre todos: O que havia acontecido a tripulação. A nave estava em boas condições, não parecia ter sido atacada pela mesma criatura que atacou a Luciferious II, o mais estranho era a atmosfera ainda estar respirável depois de tantos anos provavelmente sem pegasi para manter ela pura.

Os quartos estavam abandonados como elas esperavam, poeira cobrindo tudo, mementos pessoais abandonados, um livro de bronze esquecido aberto em cima de uma cama, uma caneca de bebida deixada em cima de uma mesa. Elas continuavam andando em silêncio, qualquer barulho parecia quase profano.

Algo brilhante chamou sua atenção em um dos quartos, ela se aproximou cuidadosamente dentro do pequeno cubículo que era o quarto, notando o nome acima da porta: Sun Seeker.

O quarto estava bagunçado como os outros, abandonado, mas em uma das paredes havia um símbolo de ouro que imitava a cutie mark da Celestia, refletindo suavemente a luz que Lux gerava, ela recuou devagar sem querer perturbar ainda mais o quarto.

Havia uma pintura em uma parede da tripulação original toda reunida, um dos garanhões na direita tinha uma cutie mark de uma paleta de cores e no centro de todos estava um unicórnio de um amarelo suave com uma longa crina que parecia ser feita de ouro, ele sorria alegremente e tinha uma cutie mark de sol em seu flanco.

-Quem é ele? –Lux perguntou olhando dentro dos olhos do unicórnio.

-Sun Seeker, ele foi seu antecessor assim por dizer. Ele foi a primeira anomalia que nós achamos.

Elas seguiram em frente, as despensas ainda estavam cheia de enlatados e água.

-Eles consumiram quase metade dos suprimentos, mas parece que muitos deles estão estragados, se o jardim hidropônico não estiver funcionando eles não vão conseguir voltar. –Numeric falou, pelo menos isso era uma boa notícia depois de tudo aquilo.

Logo depois veio o jardim hidropônico e as duas ficaram chocadas ao ver as plantas crescendo sozinhas, se espalhando por toda parte.

-Que nem na Everfree... –Numeric sussurrou, Luna havia lhe contado inúmeras histórias da floresta, de como sua irmã havia estabelecido um castelo no meio da floresta para poder se manter isolada dos pôneis e continuar com seus experimentos em paz, ela nunca havia falado que experimentos eram esse, apenas que era algo muito importante para Celestia.

Elas olharam admiradas para as plantas que haviam crescido sem controle cobrindo praticamente toda a sala, muito além do que qualquer pônei terrestre conseguiria induzir com sua magia inata, apenas um pequeno caminho que levava ao que parecia ser uma clareira no meio da sala, Lux olhou surpresa para o chão, percebendo que alguém havia pintado a forma estilizada da cutie mark de Celestia no centro da sala, ela se sentia atraída ao lugar, mas ao mesmo tempo se sentia enojada, existia energia a puxando para aquele lugar, mas era uma força doentia e sem controle, magia selvagem.

-Alguém sobreviveu. –Numeric declarou.

-Como você pode saber disso? -Lux perguntou, cada vez mais atraída para aquele lugar no centro, se aproximando quase inconscientemente.

-As plantas foram cortadas recentemente. –Numeric falou, as plantas ainda sangravam seiva de onde elas haviam sido cortadas.

Lux registrou isso, mas sua mente estava enlaçada pela magia local, ela tocou o centro da imagem e imediatamente seu corpo foi atingido por uma descarga poderosa de magia e sentimento, alguma coisa havia meditado ali por tempo incontável, algo que ela não conseguia ver, seus olhos desviavam instintivamente da criatura que um dia havia sido um pônei, ele tinha algo que só poderia ser descrito como uma pequena estrela sobre sua cabeça, ele havia alimentado as plantas todos esses anos com sua energia, ele próprio vivendo de... outra coisa.

-Lux! –Numeric a arrancou de sua alucinação. –Eu preciso de você agora!

Lux confirmou com a cabeça, um tanto tonta ainda.

Numeric a apontou para a plantas que cresciam vorazmente, espinhos nascendo de seus caules que se tornavam negros e suas folhas afiadas como espadas. Lux abaixou sua cabeça, concentrando sua magia que se formou em uma pequena estrela sobre seu chifre, ela sentia o cheiro de seus cabelos queimando.

-Não! –Numeric gritou rapidamente. –Você vai acabar queimando tudo se fizer isso!

Soltando sua respiração Lux deixou a magia se esvair, procurando desesperadamente ao redor por algo que pudesse usar contra as vinhas que avançavam em sua direção. Nesse momento a nave tremeu violentamente enquanto seu motor entrava em ação.

Diferente dos motores mais convencionais usados na Lucifeirous II, a primeira nave usava um modo de propulsão desenvolvido pelas zebras, o modelo usava a energia de reações nucleares rápidas para impulsionar a nave através de jatos direcionados de plasma. Em outras palavras eles detonavam bombas nucleares atrás de um escudo de aço de 6 metros de espessura para fazer a nave se mover. A zebras chamavam esses sistema de Orion.

Lux caiu contra os espinho com o primeiro pulso de aceleração, a planta cortando fundo em seu couro, os espinhos como que reagindo ao sangue pareciam cravar mais fundo querendo beber dele, Numeric a agarrou e puxou dos espinhos.

Ofegante e sentindo as vinhas se aproximarem, locando desesperada o redor por algo para afastar as vinhas, mas não havia nada que estivesse fortemente preso ao solo ou seguro pelas vinhas, ela tinha certeza que havia equipamento de jardinagem em algum lugar, mas sem conseguir ver era impossível manipulá-los e mesmo que conseguisse que bem faria, telecinese nunca havia sido seu forte.

Não... Ela era bom em luz, criação de energia e agora esse talento era inútil em face dessas plantas sanguinárias, ela via nos olhos de Numeric o desespero, seus olhos varrendo a sala em busca de uma solução.

Não havia outra solução.

Lux carregou sua magia com toda força na ponta do seu chifre e investiu contra as vinhas, Numeric correndo atrás dela enquanto as plantas queimava, chamas se espalhando rapidamente pelas plantas, o calor de Lux forte o suficiente para secar os vegetais e torná-las suscetíveis a simplesmente irromperem em chamas.

Lux e Numeric desabaram do lado de fora, Lux simplesmente cansada de mais para continuar andando, o esforço de manter a magia em um nível tão elevado era de mais para o seu corpo. Numeric fechou com força a porta atrás delas, o jardim hidropônico irrompendo em chamas.

-Não... Não... –Numeric repetiu, ela precisava arranjar uma solução para as chamas, sua mente calculando as suas chances de sucesso. Baixas.

Ela abriu a porta e correu entre as chamas, seu pêlo queimando e sentindo seus olhos arderem com a fumaça, havia pouco ar respirável na sala, ela continuou adiante através de espinhos que cortavam seu couro com facilidade, ela encontrou a airlock, coberta nas grossas vinhas e arrancou elas da porta, os espinhos abrindo grande talhos em seus cascos, ela desativou o sistema de segurança e abriu a porta evacuando todo o oxigênio, todo aquele gás sendo expulso de uma só vez a arrancou de seu lugar, ela ainda tentou se agarrar a porta, mas força massiva quebrou seu casco direito, ela via o espaço vazio se aproximando quando uma aura dourada a envolveu, tentando lutar contra a força do vento, mas era muito pouco, ela olhou exaustos de Lux que tentava segurá-la.

-Adeus. –Numeric sussurrou.

Não! –Lux gritou e puxou com toda sua força, o brilho de seu chifre aumentando subitamente, aura sobre aura de energia residual arcana brilhando enquanto ela lutava contra o vácuo, segurando Numeric em seu lugar. Com toda sua força Numeric apertou o botão de selamento de emergência, as pesadas comportas se fechando imediatamente.

As duas pôneis desabaram exaustas, as plantas felizmente pareciam exaustas depois da exposição ao vácuo e das chamas elas pareciam ter perdido sua energia, lentamente Lux se levantou, quase despencando com dois pulsos de aceleração em rápida sequência. Ela e Numeric se ajudaram a ficar de pé e começaram a cambalear de volta para a enfermaria.

Mirk estava morta quando eles chegaram lá, seus pulsos cortados com um bisturi ainda em sua mão, Blue Thunder estava morta, pedaços da carapaça ainda fundidos a sua pele, aparentemente ela não havia conseguido aguentar a cirurgia.

Lux colocou Numeric sobre uma das macas, sem nem se importar em tirar o pó de cima dela, injetando a égua com uma dose de analségico e buscando entre o estoque algo para limpar as feridas de Numeric, ela usou dois rolos de bandagem para parar o sangramento e engoliu duas pilulas de estimulantes.

Lux se deixou cair no chão por um instante, Numeric estava dormindo profundamente, ela havia conseguido improvisar uma tala, mas ela precisava achar alguém para cuidar dela de verdade. Se esforçando ela se levantou de novo e começou a andar em direção a ponte de comando.

    Na sala comunal três pôneis estavam estirados no chão com bandagens e curativos improvisados, alguns até mesmo feitos com silver tape. Ela subiu as escadas devagar, com medo de seus cascos falharem embaixo dela e bateu duas vezes na porta de comando, três pôneis esperavam por ela lá.

    High Command estava sentado no trono de cristal, três balões delineados por um suave brilho rosa em seu encosto, Copper Pattern estava mexendo em alguns dos painéis e Broadband, apesar de um grande ferimento em seu rosto, estava operando um dos painéis principais.

    -Mirk cometeu suicídio. –Ela falou, casada de mais para sentir tristeza. –Eu preciso de ajuda com Numeric.

    -Vocês dois vão ajudar ela. –High Command falou em monótono, o esforço de usar o trono exigindo mais dele do que ele poderia prever.

    Com a ajuda de Copper Pattern e Broadband ela voltou a enfermaria e desabou enquanto os dois tomavam conta de Numeric. Ela acordou com com uma pegasus deitada gentilmente em seu colo, ela sorriu e beijou a testa de Nox, notando que suas asas estavam embaixadas e em muitos pontos manchadas de sangue, no fundo da sala Broadband e Copper Pattern estavam fazendo sexo, Lux sorriu e voltou a cochilar.

    Quando as três acordaram de novo foi com o som de pôneis correndo e conversando apressados, as três seguiram os pôneis, Numeric tomando cuidado com seu casco machucado, até a ponte de comando. High Command havia sofrido um derrame falta, sobre carregado pelo excesso de informação do trono.

    Os três corpos foram lançados ao espaço em uma órbita que os levaria ao sol e os sobreviventes começaram a se organizar para tornar o lugar habitável, tentando limpar a poeira que havia caído sobre todo lugar, Lapidary foi a próxima a morrer, seus ferimentos extensos de mais para seus parcos recursos médicos e falta de profissionais.

    Sky Watcher foi o próximo a morrer, três dias depois ele se trancou dentro da sala de observação sem nenhuma proteção, mesmo com o poder do sol tão diminuído ele ainda morreu incinerado pelo calor do sol.

              -Haviam dois pares de pegadas. –Numeric falou para Nox e Lux enquanto elas comiam.

              -Do que você está falando? –Nox perguntou entre suas bocadas de maçã enlatada.

    -Na sala de observação, haviam dois pares de pegadas indo para a sala de observação. Alguém entrou lá com Sky Watcher. –Numeric Explicou.

    -O jardim! –Lux falou subitamente, sua memória voltando para os momentos antes do ataque das plantas.

    -Sim, alguém da tripulação original está aqui. –Numeric falou.

    -Isso é impossível! –Nox replicou. –Como alguém teria sobrevivido sem nós sabermos?

    -Eu ainda não sei. –Numeric suspirou, passando e repassando os eventos em sua mente para tentar entender o que poderia ter acontecido.

    Ela nunca teve tempo de pensar, pois logo Graveyard Shift entrou correndo desesperada, todo o setor de engenharia havia sido despressurizado, mais seis pôneis haviam morrido.

    -E tem mais! –Ela continuou agitada. –Uma das bombas foi ativada!

    -Nox, leve Lux para o escudo principal. –Numeric falou.

    -Para onde você vai? –Lux perguntou.

    -Eu sou a pessoa com mais experiência em atividades extraveiculares aqui, eu encontro vocês lá. –Ela sorriu confiante, apesar de estar tremendo de medo.

    Numeric correu até o setor de motores da nave, o gigantesco depósito de armas nucleares que serviam como propulsão para a nave, ela colocou a couraça com facilidade treinada e entrou na sala de máquinas. Os corpos dos pôneis estavam próximos as portas, eles haviam tentado escapar, mas não tiveram tempo o suficiente para isso. Ela colocou eles de lado e caminhou com dificuldade para o dispositivo nuclear ativado, a carapaça não havia sido feita para operar em gravidade normal, ela era pesada e desajustada, mesmo com os talismãs de levitação cada passo era um esforço e ainda pior era mover seus cascos da frente, seu casco direito ainda estava curando da fratura.

    Ela encontrou o dispositivo bloqueado por entulho que havia caído, ela suspirou, não havia como mover tudo isso com um casco ainda fraturado... Não, ela precisava fazer isso. Ela desviou sua bateria do suporte de vida para os talismãs de levitação, ativando eles em máxima expansão por apenas alguns segundos, subitamente os destroços flutuaram livres da gravidade e com leves toques ela conseguiu empurrar eles para longe do dispositivo, com cuidado ela desativou o gatilho, mas a contagem não parou. Ela respirou fundo, alguém havia feito um bom trabalho nisso.

    Ela descarregou toda sua energia através dos medalhões de levitação e empurrou a bomba com toda a sua força para longe da nave, toda a nave tremeu violentamente quando o dispositivo detonou meio do seu caminho pelo gigantesco escudo, destroçando completamente o escudo de aço, Numeric ouviu um tique constante vindo de sua armadura, algo sobre radiação, o veneno silencioso que havia matado Rarity e Spike, mas ela não tinha tempo para se preocupar com isso agora, qualquer complicação que viesse disso seria tarde de mais para impedir ela de cumprir sua missão.

    Ela foi jogada no chão pela onde de choque da explosão percorrendo a estrutura da nave. Ela se torceu e tentou se virar, mas era inútil a armadura era pesada de mais, grande de mais, ela deveria usar os talismãs de levitação para sair de situações assim, mas surpresa! Eles estavam completamente esgotados depois do seu último truque com a bomba. O sistema de suporte de vida também estava falhando...  Ótimo, não é como se ela quisesse ar para respirar mesmo.

    Numeric respirou fundo rapidamente várias vezes e então respirou o mais fundo que ela poderia e ativou os sistema de liberação da armadura, suas  travas explodindo imediatamente, Numeric correu para fora, o vácuo quase total tornado cada passo uma agonia, ela agarrou a porta com seus dois cascos e forçou com toda sua força, ela sentia sangue tentando jorrar de seus olhos, ela fechou seus olhos com força e forçou tudo que podia com alívio vendo a porta se abrir, ela entrou e trancou a porta atrás dela, sentindo com alívio a atmosfera se reestabelecendo, sangue escorrendo de seus olhos e boca.

    Ela se sentia completamente esgotada, ela caiu contra uma parede para respirar aliviada por um momento, todo mundo deveria estar na sala principal depois do tumulto que ela havia causado com o dispositivo nuclear.

    Algo se aproximou pelo canto de sua visão, ela se virou para o encarar , mas havia algo de errado, ela não conseguia encarar quem quer que fosse diretamente, ela sabia que era um pônei, mas sua visão estava borrada, distorcida, como se sua mente estivesse evitando a criatura com toda sua força.

    -Vai tudo ficar bem. –Lumina falou.

    -Eu sempre te amei. –Luna falou.

    Não! Numeric espantou as assombrações com seu casco ainda inteiro. As duas já estavam mortas, ela sabia disso, não fazia sentido elas estarem aqui. Ela fechou seus olhos e investiu contra a criatura que ela não conseguia ver, ignorando os pedidos de Luna e Lumina, era tão difícil recusar os pedidos das duas para que ela sentasse e descansasse. Ela sentiu um bisturi cortando seu lado, por pouco errando seus órgãos vitais, ela apenas continuou correndo, o que era perder mais um pouco de sangue depois de tudo isso?

    Ela correu por um corredor, descendo através do jardim hidropônico, a criatura atrás dela, os sussurros das duas éguas que ela amou estavam em sua cabeça... Não, essa criatura não poderia chegar a Lux, a missão precisava ter sucesso. Ela entrou em uma das airlocks, se trancando lá dentro, a criatura bateu contra a porta e os espíritos gritaram, pedindo por ajuda, eles queriam entrar também, Luna implorou misericórdia, Lumina pediu em nome de seus filhotes não-nascidos.

    -Não! –Numeric Gritou desesperada e continuou gritando, cobrindo suas orelhas com os cascos, mas as vozes dela ressoavam dentro de sua mente, incapaz de conter as vozes ela começou a recitar números primos, a criatura atacou a porta pelo que pareceu ser horas até se cansar e seguir em frente.

    Numeric foi acordada com o som do rádio estalando em vida.

    -Numeric? Numeric, você está ai? –A voz de Nox vinha ressoando por toda a nave, soando em todos os terminais de rádio.

    -Nox? –Numeric perguntou ao rádio, com medo de que fosse outra alucinação.

    -Sim, o que aconteceu ai? A nave toda tremeu agora. –Nox perguntou preocupada, o som agora vinha apenas do rádio dentro da airlock.

    -Vocês ainda estão no escudo primário? –Numeric olhava ao redor vendo o que ela tinha a disposição, uma couraça pronta para uso e um kit de ferramentas.

    -Sim, está tudo bem ai? –Nox estava cada vez mais preocupada.

    -Você consegue selar o escudo primário? –Numeric perguntou enquanto usava um rolo de silver tape para cobrir seus sangramentos.

    -O que aconteceu, Numeric! Você esta me assustando! –Nox demandou.

    -Não tenho tempo para explicar. Sele o escudo principal do resto da nave agora! –Numeric falou colocando a couraça.

    Houve uma pausa e o barulho de uma pônei mexendo em um teclado de computador e o silvo de sistemas hidráulicos se movendo a distância.

    -Pronto, estamos seladas. –Nox falou. –Numeric, você está bem?

    -Eu vou ficar. –Numeric respondeu antes de selar seu capacete.

    A égua pegou o maçarico de corte do kit de ferramentas, como ela imaginava a porta havia sido bloqueada do lado de fora, com rapidez ela usou o maçarico contra a porta a toda potência, a comporta era grossa, mas a tocha havia sido feita para cortar exatamente através desse tipo de material.

    Não importa o sacrifício, a missão teria de ter sucesso.

    Ela viu um buraco se abrir na porta, algo que ela mal conseguiria ver através, mas era mais do que suficiente, ela respirou fundo e abriu a comporta externa, todo o ar sendo drenado através do buraco rapidamente, ela se agarrando com seu casco ao casco externo da nave, usando as botas magnéticas para andar sobre o casco da nave até a próxima comporta enquanto tentava não pensar em todos os pôneis que ela havia acabado de matar, sem uma capitã na cadeira de comando não haveria ninguém para fechar as comportas internas, eles morreriam e com sorte a criatura iria junta.

    Ela entrou através de outra comporta, nem se importando com equalizar a pressão, apenas abrindo a porta e se escondendo ao lado enquanto o pouco de atmosfera que ainda restava vazava violentamente. Ela entrou e passou pela comporta, sem olhar para os corpo dos mortos, pelo menos parecia ter funcionado, ela estava respirando aliviada.

    -Eu estou desapontada. –Luna disse.

    Não! Numeric começou a correr, com os talismãs de levitação da couraça totalmente carregados era mais fácil, ela bombeou tanta energia quanto poderia para eles, fechando as portas atrás dela, correndo até a cadeira de comando, a cada esquina as visões continuavam.

    -Você matou eles! –Lumina disse.

    -Eu pensava que você era melhor do que isso. –Luna falou.

    -Eu nunca te amei! –Lumina disse.

    -Você é o pior monstro que eu já conheci. –Luna proclamou.

    Ela entrou na ponte de comando recitando os algarismos de Pi. Ela se sentou na cadeira de comando, sentindo toda a informação da nave torturada fluindo através de sua mente subitamente, ela respirou profundamente e ativou o processo de separação do escudo primário, colocou um timer de apenas alguns minutos e então se ergueu e com um pedaço de cano que ela arrancou dos consoles atacou o trono com toda sua força, destruindo o cristal, impedindo que qualquer um pudesse impedir suas ordens.

    -Você arruinou as chances deles de voltarem a Equus. –Lumin falou.

Não, Números primos felizes! Era bem melhor pensar nos números primos felizes do que naqueles que haviam morrido. Ela correu até o ponto de ligação entre a nave e o escudo primário, tendo certeza que ninguém havia passado por lá ainda, trancando a porta atrás dela.

    -Você vai nos matar! –Luna batia na porta com seus dois cascos desesperadamente.

    -Por favor, me salva! –Lumina implorava.

    Então elas pararam, subitamente ela estava em silêncio. Ela olhou ao redor assustada, mas para sua felicidade viu apenas Nox e Lux com seu chifre brilhando. Ela arrancou seu capacete, completamente exausta. As naves agora começaram a se mover, sem ninguém para controlar o módulo principal ele é consumido pelas chamas dos motores do escudo primário que iria impulsioná-lo para o coração do sol.

    Com a ajuda das duas, Numeric saiu de sua carapaça  e as três começaram a se afastar da comporta quando uma luz fulgurante brilhou, derretendo parte do corredor, elas foram atingidas em cheio pela onda de calor e sabiam que no meio daquilo havia uma criatura, mas elas não conseguiam olhar para ela.

    Nox jogou Numeric em suas costas e saíram correndo desesperada para cima, para a sala principal quando a coisa que evitava o olhar teletransportou na frente delas, derretendo parte do corredor ao redor de sua magia.

           -Saia de perto da minha namorada! –Lux gritou, seu chifre brilhando com energia carregada, sua luz jorrando sobre a criatura e para sua surpresa ela notou que conseguia olhar para ela, não mais um monstro de pesadelos, mas um unicórnio cobertos em extensas queimaduras, sua crina e cauda completamente queimados, a única coisa que permitia a Lux o identificar era os restos de uma cutie mark de um sol em seu flanco.

    A criatura flutuou um bisturi ao seu lado, mas Lux lançou um raio tórrido contra a arma, vaporizando o metal antes que ele pudesse ferir ainda mais suas amigas.

    -Você é uma miragem, luz corrompida! Você não tem poder contra a luz verdadeira! –Lux gritou e deixou sua luz jorrar sobre a criatura, ela desapareceu em mais um teletransporta tórrido.

Sem tempo a perder as três correram até o salão principal, as duas capsulas esperavam por Lux e Numeric em uma cópía quase igual ao escudo primário da Luciferious II, a única e vital diferença eram os seis grandes blocos de obsidiana em que estavam incrustados os equeletos das portadores.

    O escudo atingiu o sol e toda a estrutura rangeu, subitamente sistemas de refrigeração começaram a falhar um após o outro enquanto eles lutavam futilmente contra o calor da estrela moribunda, tudo que importava para os primitivos sistemas da nave era manter uma temperatura capaz de suportar vida dentro da pequena sala pressurizada em seu interior.

    Nox sentiu seu peso diminuir enquanto a gravidade perdia sua consistência enquanto elas desciam em direção ao coração da estrela. Não havia tempo para aproveitar isso, ela começou a ajudar Numeric em sua capsula quando o que um dia havia sido Sun Seeker reapareceu, Lux pulou em sua frente, pronto para jorrar sua luz sobre ele, mas dessa vez ela havia sido pega de surpresa, apenas um instante para energizar seu chifre, mas isso foi tudo que ele precisou, onde antes havia um unicórnio decrépito e coberto em queimaduras agora havia Nox, ferida, implorando pela ajuda de Lux.

A unicórnio hesitou e a criatura atacou com um jorro de calor e dor, as três ouviram o grito de dor de seus amados, mortos e vivos, enquanto seus corpos queimavam.

    -Por favor faça a dor parar! –Luna gritou para Numeric.

    -Não me deixe morrer de novo! –Steel Rivet implorou a Lux.

    -Faça a dor parar! – Night Skies berrou para Nox.

    -Mãe? –Nox caminhou para frente vendo a sua frente a mãe que havia lhe ensinado a sorrir apesar de tudo.

    -Me salve! –Night Skies chorava lágrimas de sangue.

    -Você não é ela! –Nox socou a criatura com toda sua força.

    A criatura recuou, assumindo rapidamente a forma de todos que Nox jamais havia amado, implorando por sua ajuda, por perdão, pelo amor dela.

    -Você não vai tocar minhas amigas. –Nox gritou com todos seus pulmões, abrindo suas asas machucadas para proteger Lux e Numeric.

    A criatura agarrou Nox em seu campo telecinético, a anergia parecia queimar seu corpo como fogo e se teletransportou com Nox para o teto, Nox sentia a força contra sua garganta, lutando para respirar, o campo de força da criatura que envolvia as duas era a única coisa que impedia elas de queimarem vivas instantaneamente, mas agora ele se desfazia.

    -Nox! –Luna gritou desesperada e se teletransportou com Numeric para cima, seu corpo estava transbordando de energia, mais energia do que ela sabia como controlar, ela envolveu as três em seu mais poderoso campo de força, a gravidade se alterando e subitamente o teto era o chão para elas, elas caíram sobre o escudo, Lux sentia todo o calor fluindo através do seu escudo, era energia de mais, mesmo nesse estado o sol tinha mais energia que qualquer unicórnio poderia controlar sozinha.

    Ainda bem que ela não estava sozinha, ela buscou com sua magia os esqueletos das seis portadoras em seus caixões de obsidiana, ela buscou por eles e implorou a seus espíritos por ajuda.

    A criatura subitamente era Nox e Lux e Lumina, todas implorando por amor.

    A gravidade alterou e as quatro estavam caindo em direção ao solo, Nox estendeu suas asas e segurou as duas como podia, sangue jorrando de seus machucados que se reabriam conforme magia fluía através delas. A criatura caiu com força contra o chão, sangue jorrando por mil ferimentos, mas ela parecia não se importar.

    As três caíram com estilo no chão, Lux mantendo seu escudo para protege-las do calor absurdo, a criatura começou a se levantar, mas antes que ele pudesse se erguer seis espíritos coloridos emergiram de seus sarcófagos, se tornando pouco mais do que borrões de luz Nox, Lux e Numeric sorriram ao ver as heroínas de sua infância uma última vez antes do final.

    A criatura urrou e luz monocromatica se expandiu de seu corpo decrépito, dissipando a luz colorida do espirito das seis portadores, os sarcófagos estourando conforme os espíritos eram dissipados.

    Lux deu um passo para trás, não podia ser, essa criatura não podia ser parada, todo o poder das portadoras não poderia dete-lo, sua magia ou a inteligência de Numeric ou a determinação de Nox, nenhuma delas era suficiente para parar a criatura nascida de insanidade, banhada no poder de uma estrela decrépita por anos a fio.

    Nox e Numeric colocaram seus cascos sobre o ombro de Lux e foi então que ela sentiu algo dentro dela, algo novo e quente, diferente da luz que cega ou do calor que queima, era a chama que queimava no coração de cada ser, subitamente ela sentiu seu coração se encher de energia, o amor das duas lhe tornavam mais poderosa, a criatura atacou, mas agora sua luz não podia mais feri-las por que elas estavam juntas, a dor não podia tocá-las, a luz jorrou sobre a criatura e elas puderam vê-la como ela realmente era.

    Sun seeker, jovem unicórnio dotado de um talento único, escolhido pessoalmente pela princesa para uma missão para salvar o mundo, treinou durante anos com um único propósito, deixou de lado todo o resto apenas pela missão. Viajou através do espaço com uma tripulação de soldados treinados, todos profissionais, todos mantendo uma distancia do unicórnio que iria morrer no coração da estrela. Sua fé em Celestia se tornando a cada dia em devoção cega, abrindo caminho para a luz que cega, o fogo que queima, magia sombria que se encravou em seu coração.

    O fogo da amizade queimou as amarras que ainda o prendiam a esse mundo, a luz que cega e o fogo que queima não poderiam mais mantê-lo vivo por que essa não era uma magia ofensiva, era libertadora, pacífica. A magia da amizade nunca poderia realmente machucar alguém, ela apenas libertava a criatura de sua prisão de trevas seja ela interna ou externa.

    Exausta Lux se forçou a um ultimo teletransporte para dentro da sala pressurizada.

    -Rápido, a gente precisa disparar o seu feitiço! –Numeric falou entregando o capacete para Lux.

    Lux agarrou o capacete e colocou sobre sua cabela, ela sentia que seu chifre havia trincado, mas agora não importava mais, ela só precisava conjurar mais um feitiço.

    -Vamos lá, só uma magia de luz, é mais fácil de todas! –Nox a encorajou.

    Lux suspirou, ela nunca queria que a pegasus morresse com ela, mas agora não havia mais outra escolha, apenas uma última magia para salvar o mundo, a magia mais simples que qualquer unicórnio poderia conjurar... Não, ela olhou de Nox para Numeric e abraçou as duas com toda força,  o fogo de suas amizades queimando forte quando o escudo se ativou, milhares de explosões nucleares ocorrendo simultaneamente, toda essa energia convertida em um simples feitiço, o feitiço mais simples que qualquer pônei poderia conjurar, tudo que bastava era se importar com outras pessoas.

    Em um instante elas deixaram de ser, eram agora parte da estrela, parte do sol que nascia sobre Equus trazendo nova chance de vida para o planeta.

Next Chapter